Ter Razão ou Ser Feliz?

Esta questão foi trazida por uma amiga,

quando me encontrou em suas férias. Férias do marido, da vida, dos projetos profissionais, e segundo ela, da própria existência.
Parte de tudo que mais a entristecia, vinha do casamento.
Parte de tudo que mais a alegrava também.
– Ele não me ouve, ele não se interessa pelos meus problemas, ele não estuda, não pesquisa, não estrutura, ele, ele, ele milhões de ele na conversa. Sem mencionar itens de fabrica, como o clássico pasta de dente ou o lixo que ele nunca levava para fora.
Eu poderia adivinhar as reclamações dele, em relação a ela:
– Ela tem humores saltitantes, idéias vagas, conversas intermináveis, eloquência, ela, ela, ela…
E os itens de fábrica, a calcinha secando no box…
Ela e toda a torcida feminina do Palmeiras estão na mesma situação. Repetiram o que a tatatataravó também fez: se casou.
– Se está tão difícil para você, porque você não se separa?
Resposta óbvia e universal
– Porque eu o amo….

O amor é uma experiência – existencial, como o sabor. Se você não provou o sal, não há nenhum modo de explicá-lo a você, se você o provou, não há meio de esquecê-lo.

Quanta energia nós gastamos apenas para demonstrar que temos razão, independente de tê-la ou não. Não se trata de abolir a razão e buscar a felicidade por meio da aprovação do outro a qualquer custo.
Também não significa deixar de expressar suas opiniões. Uma atitude assim poderia levar a muitas injustiças. Trata-se de avaliar quando realmente é necessário argumentar pela razão, e quando isso é apenas uma perda de energia desnecessária, comprometendo nosso bem estar.

Quanta energia nós gastamos apenas para demonstrar que temos razão, independente de tê-la ou não. Não se trata de abolir a razão e buscar a felicidade por meio da aprovação do outro a qualquer custo.
Também não significa deixar de expressar suas opiniões. Uma atitude assim poderia levar a muitas injustiças. Trata-se de avaliar quando realmente é necessário argumentar pela razão, e quando isso é apenas uma perda de energia desnecessária, comprometendo nosso bem estar.

Porque afinal buscamos o casamento?

Queremos ser amados. Ser aceitos.Viver a grande experiência de amar.
Atraídos por esta “cenourona”, saímos à caça. E sem nenhuma preparação, arrumamos um ser humano para chamar de benhê, queridão, maridão, fazer uns dois, três filhos, e desempenhar o papel de cônjuge dedicado, com as tarefas cumpridas, os filhos gordos e rosados, casa limpa, lazanha no domingo, peru no natal… E assim passarmos a vida, reclamando na cozinha, de tudo o que o benhê não é, e se olharmos bem de perto, jamais foi.

O casamento tornou-se uma lista interminável de tarefas que o outro não realiza.

Cada um tem a sua. E para cada item da lista, uma explicação comovente sobre a infelicidade provocada pela tampa da pasta de dente aberta, ou pela calcinha no box…
Claro que isto ocorre no seu casamento também.
E no de muita gente muito mais legal ou descolada que eu e você conhecemos.
Caímos todos na mesma rede – Como nossos pais… casamentos biológicos. Nada alquímicos, já dizia Campbell. E tudo acaba em perfeito desajuste, quando não num tribunal.

O que há para ser vivido que não nos contaram?

Se o casamento nos oferece a grande chance de aprendermos a amar e compartilhar, como é que o meu estado de alma mais sutil se altera tão rapidamente ao passar pela tampa do vaso sanitário aberta? Com o quê estou me conectando?

Afinal, o que é o amor?

O amor nao é um propriedade a ser guardada, ele é uma fragância a ser compartilhado. Quanto mais você compartilha, mais você tem,
Quanto menos você compartilha, menos você tem. Segundo Gurdjeff: “Tudo que o que guardei, perdi. E tudo que eu dei, é meu e ainda está comigo.” Se você compartilhar, seu organismo fica livre de venenos. É uma das maiores virtudes espirituais.
E para compartilhar dentro do casamento, torne-se Nada. Quando você começa a achar que é alguém, fica iludido consigo mesmo, e o amor não flui mais. O amor só flui de alguém que é ninguém. O amor habita somente no nada. Quando você está vazio, há amor. Esse é o significado de ser humilde. O amor torna-o ninguém, o amor tira-o do seu chão, o amor destroe seu ego completamente, e lhe dá uma nova vida: humilde, simples, uma vida na qual Deus pode atravessar, e a música do amor flui através de vocês. Você não é mais um obstáculo, porque você nao está mais ali para atrapalhar. Se você está, voce é o obstáculo.

…Para no final, ficarmos como um cântaro, cheios de água, mas com a boca seca.

A lamparina brilha forte quando o pavio e o óleo estão limpos. Para isto é necessário que alguém os limpe. A chama não percebe o processo de limpeza.
Os ramos de uma árvore são sacudidos pelo vento, o tronco permanece imóvel.
A ação quanto a inação podem encontrar lugar em ti: teu corpo agitado, tua mente tranqüila, tua alma límpida como um lago na montanha.

Existe a vida, a morte e o amor.

A vida está acontecendo a cada segundo.
A morte é uma certeza.
Então só lhe resta uma coisa a ser feita, algo que você pode fazer, que depende de você: o amor. E por depender de você, há toda a possibilidade de perdê-lo.
Aqui está a residência do medo. Medo de não conseguir amar, medo de amar e perder, de ser abandonado, medo de não ser amado, medo, preocupação, medo do presente, do futuro e até do passado.
Abandone o passado a cada momento.
Lembre-se de abandoná-lo. Assim como você limpa sua casa todas as manhãs, a cada momento limpe sua casa interior do que passou.
Nao espere nada do futuro.
Abandone as expectativas. Uma vez abandonadas, você aprendeu a viver. Então tudo que lhe acontece, o satisfaz, seja o que for. A frustração é uma sombra da expectativa.
Ninguém está contra você, a existência não é uma conspiração contra você, ela é o seu lar.
Ame o homem, a mulher, a criança, o animal, a árvore, as estrelas.

A vida é assim..

Não mude de casamento, mude seu olhar sobre ele. Seu amado é apenas uma ponte para você viver a maior experiência: o amor por toda a existência. Deixe seu anseio profundo ser uma busca pelo seu próprio ser interior. Lá o encontro com você mesmo já está acontecendo. Mude o foco: do benhê para o amor, para o que há entre vocês. A diferença está na perspectiva escolhida e não no objeto examinado…

E você, o que quer, ser feliz ou ter razão?

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Poema

A mente é um oceano
Quantos mundos
estão ali girando
misteriosos,
apenas vislumbrados

Como uma taça
flutuando no oceano
assim é nosso corpo.

Há de encher e ir ao fundo
sem que nenhuma bolha
assinale o lugar em que repousa

O espírito está tão próximo
que não o vês
Busca-os!
Evita ser o cântaro cheio d’agua
cuja boca está sempre seca.

Não te pareças ao cavaleiro
que galopa noite adentro
e não vê a própria montaria.

RUMI

JALAL AL-DIN HUSAIN RUMI nasceu em Balkh, Afeganistão em 1207.
Celebrado como o maior poeta místico de toda a tradição persa e árabe, Rumi pertence à seleta galeria daqueles que foram capazes de penetrar simultâneamente as esferas do divino e da criação poética: San Juan de La Cruz, Santa Tereza de Ávila, Hildegard von Bingen, Kabir, Al-Hallaj, Toukaran, Yunus Emre, Ryokan, entre outros. Por esta razão, muitos estudiosos consideram-no um dos maiores poetas místicos de todos os tempos.
Tornou-se famoso por sua instrospecção mística, seu conhecimento religioso e como um poeta, ensinava um grande número de pupilos em sua Madrash.
Fundou a famosa Ordem Maluvi, em Tasawwuf.
Seu famoso livro Mathnavi é a maior exposição mística em versos, discute e oferece soluções a muitos problemas complicados em metafísica, religião, ética, misticismo.

Fundamentalmente o Mathnavi destaca os vários aspectos do Sufismo e seu relacionamento com a vida mundana. Para isto Al-Rumi tira numa variedade de assuntos e deriva numerosos exemplos da vida cotidiana. Seu assunto principal é o relacionamento entre homem e Deus, ele aparentemente acreditou no Panteísmo e retratou as várias etapas de evolução do homem na sua viagem em direção ao final.

A obra de Rumi marcou profundamente o pensamento religioso do Islã. Muitos o consideram o maior poeta místico de todos os tempos. Entre suas principais obras estão o Rubayat, os Poemas Místicos, editado em 1996 pela Attar Editorial e o Mathnawi, um vasto poema de 45 mil versos.

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Livros

Poemas Místicos
Jalal al-Din Husain Rumi ATTAR EDITORA

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