Construir é reformar-se


Quando eu e meu companheiro iniciamos uma nova etapa em nossas vidas, o projeto de construir uma casa fazia o maior sentido.
Nossa casa, nosso jeito, nosso traço, nosso espaço.

Procuramos, procuramos, discutimos, ôpa, o primeiro sinal de que não ia ser assim tão fácil, e finalmente chegamos à velha conclusão: terreno-legal versus quanto-a-gente-pode-pagar versus o sonho-de-cada- um. Porque mesmo vivendo a dois, os sonhos são individuais, únicos. E deve refletir na escolha. Afinal estamos construindo, do zero, do nada, de uma crença, nossa nova casa.
Vai de dia, vai de noite, vai de tarde, ouve os vizinhos, leva uma pizza, um vinho, senta naquele matão com uma pedrona aqui e outra ali e acha graça, acha inimaginável que em um ano, aquele lugar poderá ser seu endereço.

Sonha, discute:
– aqui vai ser a cozinha, o quarto, a sala com vista…
– não, eu não concordo. A sala deve ser ali, bem como o quarto, a cozinha…
Nova discussão…. a pizza e o vinho são esquecidos e a discussão esquenta… ficamos na pedrona emburrados. Cada um para um lado.

– ok. a cozinha pode ser ali, mas a sala não.
– ok amor… vamos comprar este matão?

Damos risada, retomamos o vinho e renovamos nossas esperanças. Não tínhamos a menor noção do que estava por vir.

Construir é um processo maluco. Deveria ser proibido por lei Federal. Eu fico imaginando se filhos fossem feitos como casa eles nunca nasceriam:
– não, eu quero o meu filho com olhos verdes.
– que é isto, careta total! um olho azul e outro castanho…e as mãos pequenas…
e assim discutiríamos pela eternidade e o pobre filho jamais nasceria.
A diferença com a casa é que depois que o pedreiro faz o primeiro buraco, ali mesmo, naquele buraco, vai rodar toda a grana que você acha que dá para construir a tal casa dos sonhos.

Milhões de desenhos, projetos, discussões, comemorações, opiniões, depois:

O ALICERCE
(mas pode chamar também de A brincadeira de enterrar dinheiro).


Verdade seja dita. Nunca, nunquinha estamos preparados. Eu acredito que o alicerce da nossa vida baseia-se em livros, viagens e em experiências vividas, boas, difíceis, complicadas, alegres…. algumas elaborações, alguns insights, e com elas você aprende a se defender, mas estar preparado mesmo, tranqüilo e com cara de meditador, isto não deu.
Conheço casais que nem conseguiram passar por uma reforminha. Separaram-se antes.
Conheçø amigos que compraram o terreno e pararam.
Conheço amigos que se separaram no meio da obra.
Conheço amigos que finalizaram a construção e foram embora.
Preparado voce não está. Nunca.
Estou falando de base sólida, firme, destas que você quer agora para sua casa. Se isto não está dentro de você, também não estará fora, e principalmente quando você conhece O Pedreiro, ele vai te mostrar quais são as suas verdadeiras bases. Então você se torna criança mimada, emburrecida, olhando para aquele pobre homem com um português duvidoso, e uma força física de Deus, e intimamente não deseja obedecê-lo de jeito nenhum. Especialmente quando chega a primeira lista de compras de material , da série As Intermináveis, você entra em choque, um choque tão assustador que só vai passar no dia que ele for embora da sua vida…
– Mas isto dava para construir 3 casas… penso. Nosso planejamento já furou, e eu preciso confiar toda a grana da minha vida nele, O Pedreiro. Então confio. Vamos até a loja de material de construção pela primeira vez. Olho pro vendedor. Mal sabia que nos tornaríamos amigões.
Confiança é a base das relações. É lindo. Mas depois da milésima vez que você compra cimento e areia, você acaba achando que ele está doando cimento para alguma ong, ou até mesmo comendo… Não é engraçado, é assustador.
E nesta fase não tem ainda nenhum abriguinho, uma paredinha para você chamar de casa, mas no terreno uma buraqueira sem fim , que a previsível chuva de final de ano, encheu junto com o cimento e o nosso rico dinheirinho.
– Quanto tempo ainda falta?
– Olha dona, vai dependê da chuva.

Volta o sol e os borrachudos.

Não dá para negociar na base. Sustenta tudo. O peso, as vidas lá dentro, e só o dinheiro não resolve.
Tem que ter carinho, muita atenção, desligar o f…. e ligar o vamos-prestar-atenção, é a base. Tem que ter o melhor material, tem tudo que estar em perfeita harmonia, para que a tranquilidade reine eterna.
Não estou falando da casa. Estou falando de nós. Sem estes itens totalmente cobertos, seremos adultos estranhos, deslizando pela ribanceira nas chuvas mais fortes, sendo destelhados pelos ventos Katrinas, sendo corroídos pelos bichos subterrâneos não percebidos durante o processo. Isto aumenta totalmente a responsabilidade dos envolvidos. Com este sentimento, O Pedreiro, seus ajudantes, meu companheiro tornam-se os pais da casa. Bonito, né? Mas para mim, muito verdade. Aquilo que é um buraco, vai receber uma estrutura, que vai sustentar uma parede, que vai segurar um telhado, que vai abrigar uma vida.
Sério, né?

A ESTRUTURA
(é aquilo que balança, mas não cai)


As escolhas são impossíveis: madeira, cimento, ferro.

“A rígida linha reta é fundamentalmente estranha à vida humana e a todo processo de criação”, frase do arquiteto-pintor-ecologista austríaco Friednsreich Hundertwasser (1928-2000) http://www.hundertwasserhaus.at/1st.html
Quão reta foi a influência das sua família na sua estrutura interna?
Como você tem vivido com a sua linha reta?
Optamos por uma madeira, a aroeira, que um dia foi poste de luz nas antigas ruas das cidades históricas das Gerais, agora sustenta nossa casa. Reciclar, sempre. E esta decisão modificou totalmente o desenho interno da casa. Ela não tem um só metro reto e é linda de ver e principalmnete de conviver. Foi uma decisão complicada: preço, logística, mão de obra especializada aqui neste vilarejo tropical… Mas quando conseguimos optar juntos e principalmente felizes, tudo fica mais parecido conosco. Por isto é tão importante observar a sua linha reta interna. Rígida como o ferro? Frágil como aglomerado? Densa como o cimento? Flexível como o bambu? Você deposita você mesmo em tudo o que faz. É em uma casa sendo construída, isto aparece sem disfarces.
Construir é um processo que te expõe o tempo todo. Especialmente para você mesmo.
MInha irmã insiste em conhecer a casa das pessoas. Ela diz que a casa transparece a sua alma. Como você limpa, cuida, organiza. Ela acha que ao invés do
— Muito Prazer meu nome é Maria, deveria ser:
— Muito prazer, esta é a minha casa. Se você gostar dela, você vai gostar de mim.
Meio rígido demais, mas tem a sua verdade.
Você já reparou como são os quartos dos adolescentes? Tudo ao mesmo tempo agora.
E no meio do bate-estaca para as madeiras ficarem em pé, vem as preocupações:
Será que vai aguentar o peso, Será que vai cair? Será que esta escolha está correta? Claro que você está com vários profissionais à sua volta, e a confiança é a base das relações… Então confio, assim como confio meus filhos à escola que envio por 8, 9 anos. Observo a menina crescer em direção ao céu, assim como as aroeiras estruturadas naquele alicerce.
É uma delicia andar pela casa somente com a estrutura. Os lugares sendo definidos. Mudanças de última hora sendo tomadas. Um processo vivo. O que ontem estava fechado entre nós, hoje não é bem assim. Descobre-se um novo ângulo, a madeira não responde exatamente como no planejado, uma dança entre o ideal e o possível, entre a razão e a emoção, entre o cansaço diário e a vontade de realizar. Uma escola. Difícil de viver mas… necessário. Os homens sobem no impossível para colocar mais um prego, lá em cima, onde vai chegar o telhado. E a casa se ergue aos céus.
Épico, né?

A COBERTURA E O CHURRASCO


– 4mil telhas?
– não! conta de novo. (Pessoalmente eu não tinha dimensão de 4mil telhas, mas 4 mil qualquer coisa, é coisa pra c…)
O Pedreiro me olha com aquele já conhecido olhar de compaixão.
Depois da nossa conversa sobre um Tê de derivação, (eu desisti completamente de chamar as coisas pelo nome: sapata, baldrame, talha, curva com não sei quanto de redução…) você descobre que tem um mundo de nomes e funções que você desconhece completamente.
É como seu corpo. Você sabe o que é uma pleura?
E lá vamos nós pesquisar qual cobertura é a mais adequada, para segurar os ventos, as chuvas, proteger do sol. Era para ser uma casinha, penso. E agora estamos discutindo a tábua que segura o telhado, a manta térmica, o estuque, o forro. É muito complicado. Mais decisões, mais preocupações, a conta no banco diminuindo, e o pedreiro deixando cair lá do alto umas vinte telhas e todas espatifando no chão, virando entulho. Haja alicerce, estrutura interna para fazer cara de nada e fingir que está tudo bem.
Eu tenho uma amiga, já com mais de cinquenta anos, que teve uma síncope nesta fase.
Entrou na obra, e por causa de uma falha na colocação das telhas, chorou, lá mesmo no meio dos sacos de cimento, chorou copiosamente, como uma criança. O pedreiro teve que descer das telhas mal colocadas e trazer água, calma, conselhos. E ela aproveitou e chorou muito mais…. foi dificil convencê-la que estava tudo certo, que era assim mesmo.
E O Pedreiro e agora O Carpinteiro, gente boa, entregam a cobertura, com pelo menos 15 dias além do último planejamento.
Você olha pro seu companheiro. Navegando em alto mar, com ondas batendo no nariz e de barquinho de pescador, ele manobra o barquinho para lá e para cá, às vezes pragueja, às vezes comemora, mas a tensão está lá presente. Dizem que é inerente ao processo.
Cobertura entregue, hora do churrasco.
Eu entendi que era um pit-stop. Um momento de rever a relação com O Pedreiro. De renovar as esperanças de todo mundo.
Então capricha na picanha, na salada, traz a família dos construtures, serve cerveja… surpresa: nenhum deles bebe, mas… coca-cola na moçada. E eu me afundo no banquinho feito com tijolo e madeira da obra e ê-lê-lê. Olho pro meu companheiro conversando com a turma e agradeço aos céus por ele estar por ali pilotando este departamento.
Não é sexismo não, mas tem coisa que é feito para menino se virar (carros, eletrônicos, construção), e tem coisas que é feito para menina ( relações, sensibilidade) deve estar no dna, ou só no meu, porque eu olho, olho, não tenho força física para descarregar um mísero saco de cimento da caçamba do carro, ou levar umas 10 telhas para o pé da casa… Eles fazem isto com um cigarro na boca… parece o mundo de Andy. Eu sinto que eles me toleram, mas não me julgam apta de decidir nada.
Tipo: quanto de beral eu quero.
– ?
– Ô dona, beral padrão é de 80 cm.
– é, mas eu queria um maiorzinho para proteger as portas…
Decidi sozinha por 1.20m
Meu companheiro, que estava viajando voltou e quase se separou de minzinha. Só porque aumentaria em trilhões de telhas a mais…ai. ai. Aliás esta é outra questão:
Decisão em conjunto ao vivo. Sinceramente não funciona. Um tem que decidir e o outro apoiar. Os dois juntos, aqui não funcionou. Eu queria mais alto, ele mais baixo, eu queria mais para direita, ele não. Eu queria a janela lá, e ele ponderava…
e no meio disto, O pedreiro com a pá na mão, olhando com aquele ar de compaixão… Claro que há o projeto, o desenho original, mas no papel é tudo mais bonitinho, no 3D então, parece que a casa já existe… mas ali, no meio do fogo cruzado, quer dizer, do cimento indo embora, tudo muda. E pior, se você não estiver na obra, o pedreiro decide. E é mais uma terceira pessoa para entrar na relação… Haja preparo interno, meditações diárias, calma e perserverança. Agora, tudo que você quer é terminar a casa, e ainda nenhuma paredinha…
Paciência, né?

AS PAREDES, AS JANELAS, O ACABAMENTO

Novas decisões. E se ao invés de colocarmos a parede aqui, colocássemos ali?
Este “e se…” na obra é perigosíssimo. Porque você redesenha sua casa trilhões de vezes, e uma parede sobe enquanto você foi ali almoçar e já volta. E quando olha para ela pronta, se arrepende…
Mas já é tarde demais. Não dá para ficar desmanchando, porque a fru$tração aumenta em todo mundo. Então você segue em frente fazendo as tais paredes, e encaixando as janelas, que como eram usadas, precisavam ter sido ser compradas antes mesmo do alicerce para encaixá-las devidamente. Alguém te avisou? Nem a mim. Ficou escuro…
Eu tenho um amigo que sabiamente me alertou:
Acabamento tem este nome por que acaba é com você.
Nada mais verdadeiro. Uma torneirinha custar esta fortuna… Precisamos de 10. Banheiros, Pias, Tanques, Chuveiros…
Olho para o nosso planejamento…. vai dar para comprar uma.
Aqui voce verdadeiramente conhece o interior de uma casa. Os tubos das aguas, como o seu sangue, precisa servir à todas as áreas molhadas, o tubo elétrico, assim como seus nervos, precisa servir corretamente e deixar pontos interruptores inteligentemente abertos.. etc etc etc.
Nem com este texto consigo acabar, em função do desânimo que um acabamento pode provocar.
Mas o desânimo é substituído por alegria, felicidade, sentimento de realização, todos os dias. Exatamente às 5 horas da tarde quando O Pedreiro vai embora, eu e meu companheiro sentamos naquela pedrona, com mais uma garrafa de água mineral,
observamos a tarde cair e nossa casinha aparecer, bem diante dos nossos olhos.
É interessante observar que uma casa é feita de elementos não-casa. Já dizia o mestre Thich Nhat Hanh.
Uma telha não é uma casa. Uma parede também não. O tijolo, a manta térmica, a aroeira, não são casa. Mas juntos, vindos de lugares os mais incríveis possivel, transformam-se em casa, na minha casa.
E da pedrona, se eu observo a casa e mentalmente tiro estes elementos não-casa, sobra o quê? o vazio.
Vazio de quê? Vazio de elementos não-casa, mas cheio de todos os elementos invisíveis: amor, determinação, crença, vida, trabalho. Elementos invisíveis, que transformam a telha, o tubo de Pvc, a caixa d’água naquilo que eu entendo como casa.
E se pirar de vez, ainda posso dizer que neste vazio está o esforço d’O Pedreiro, a crença dele, o suor, o sol e a chuva, as estrelas, enfim o cosmo todo, dando sua forçinha para materializar ali diante da pedrona, nossa casa. O que estava dentro de cada um destes elementos, assim como o que estava dentro de cada um de nós participantes desta construção, agora está ali, materializado. O que é um quarto de dormir, se não tivesse o vazio contido dentro daquelas quatro paredes?
Princípio da física quântica. Uma casa quântica. Tudo contido no vazio.
Saio deste meu devaneio quântico, exatamente quando as luzes da casa se acendem e meu companheiro, sujo como um pedreiro, feliz como uma criança, realizado como um adulto celebra:

– Yes, mudamos para ela na semana que vem.

Esta é uma homenagem aos bravos Pedreiros: Juracy e Dema, ao Carpinteiro o Lausinho, ao Eletricista o Osmar, ao vendedor de material de construção o Rodolfo, ao vendedor de janelas usadas o Tião e especialmente ao meu companheiro. Conseguimos!

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O acabamento tem este nome porque acaba é com você!

Uma torneirinha custar uma fortuna? Esta aí, achamos na feira da Praça Benedito Calixto, em SP, pagamos dé reais, e estamos felizes até hoje…

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O mestre Friednsreich Hundertwasser


“A rígida linha reta é fundamentalmente estranha à vida humana e a todo processo de criação” frase do arquiteto-pintor-ecologista austríaco Friednsreich Hundertwasser (1928-2000)

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Navegar é preciso
Construir não é preciso


Consciência não faz mal para os dentes.
Dê uma olhada neste mapa da National Geographic e medite se precisamos mesmo construir e incendiar o planeta com tantas luzes. é um mapa fotografado à noite, via satélite, quando não havia nenhuma nuvem entre o satélite e o planeta.
É estarrecedor. São Paulo, Nova York, bem como a Italia, não verão mais as estrelas no céu em função da quantidade de luzes. São os pontos brancos no mapa. A Africa e a Austrália estão queimando demais o solo para o plantio, deixando a terra frágil, e ameaçando-a com desertificação. Há ainda indicação de lugares onde se libera um gas poluente resultado da queima do petróleo, O Brasli está nessa… Se puder compre o mapa.

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Thich Nhat Hanh

Thich Nhat Hanh é autor de mais de cem livros de poesia, ficção e filosofia, fundou universidades e organizações de serviço social. Liderou a delegação budista vietnamita nas Conferências de Paz em Paris e foi indicado para o Prêmio Nobel da Paz pelo Reverendo Martin Luther King Jr.
Plum Village.

Se você for um poeta..
verá claramente que há uma nuvem flutuando nesta folha de papel. Sem uma nuvem, não haverá chuva; sem chuva, as árvores não podem crescer e, sem árvores, não podemos fazer papel. A nuvem é essencial para que o papel exista. Se ela não estiver aqui, a folha de papel.

Sem uma nuvem, não podemos ter papel, assim podemos afirmar que a nuvem e a folha de papel intersão.

Se olharmos ainda mais profundamente para dentro desta folha de papel, nós poderemos ver os raios do sol nela. Se os raios do sol não estiverem lá, a floresta não pode crescer. De fato, nada pode crescer. Nem mesmo nó podemos crescer sem os raios do sol. E assim nós sabemos que os raios do sol também estão nesta folha de papel. O papel e os raios do sol. intersão.

E, se continuarmos a olhar, poderemos ver o lenhador que cortou a árvore e a trouxe para ser transformada em papel na fábrica. E vemos o trigo. Nós sabemos que o lenhador não pode existir sem o seu pão diário e, conseqüentemente, o trigo que se tornou seu pão também está nesta folha de papel. E o pai e a mãe do lenhador estão nela também. Quando olhamos desta maneira, vemos que, sem todas estas coisas, esta folha de papel não pode existir.

Olhando ainda mais profundamente, nós podemos ver que nós estamos nesta folha também. Isto não é difícil de ver, porque quando olhamos para uma folha de papel, a folha de papel é parte de nossa percepção.

A sua mente está aqui dentro e a minha também. Então podemos dizer que todas as coisas estão aqui dentro desta folha de papel.

Você não pode apontar uma única coisa que não esteja aqui- tempo, espaço, a terra, a chuva, os minerais do solo, os raios do sol, a nuvem, o rio, o calor. Tudo coexiste com esta folha de papel. É por isto que eu penso que a palavra interser deveria estar no dicionário. “Ser” é interser.

Você simplesmente não pode “ser” por você mesmo, sozinho.

Você tem que interser com cada uma das outras coisas. Esta folha de papel é porque tudo o mais é.
Suponha que tentemos retornar um dos elementos à sua fonte. Suponha que nós retornemos ao sol os seus raios.

Você acha que esta folha de papel seria possível? Não, sem os raios do sol nada pode existir.

E se retornarmos o lenhador à sua mãe, então também não teríamos mais a folha de papel. O fato é que esta folha de papel é constituída de “elementos não-papel”. E se retornarmos estes elementos não-papel às suas fontes, então absolutamente não pode haver papel.

Sem os “elementos não-papel”, como a mente, o lenhador, os raios do sol e assim por diante, não existirá papel algum.

Tão fina quanto possa ser esta folha de papel, ela contém todas as coisas do universo dentro dela.

As pessoas dizem que é milagre andar sobre a água:
mas para mim o verdadeiro milagre está em
andar pacificamente sobre a Terra.
A terra é um milagre. Cada passo é um milagre.
Dar passos sobre o nosso belo planeta pode trazer
a verdadeira felicidade.
Quando você andar, tome consciência de seu pé,
do chão e da conexão entre eles,
que é a sua respiração consciente.

THICH NHAT HANH

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