Tibet or not Tibet?

fdo5a

Para você também amar os tibetanos.

abre2jpg

Não é uma tarefa difícil. Eles sorriem sempre. Muito. Colocam as mão no rosto, talvez por pura timidez, certamente com muita humildade e acham graça. Seus olhos fecham, seu sorriso se abre. Felicidade. É uma delícia contemplar um tibetano feliz.

É um povo lindo. Eles são do país mais alto do planeta. O mais perto de Deus. Se fossem um chakra seriam o Sahasrara:
É o chacra que nos Êliga à nossa parte mais espiritual, ao nosso ser completo e com a realidade cósmica. É luz de conhecimento e consciência, é visão global do universo, é o nosso caminho de crescimento que nos permite alcanar a serenidade espiritual da completa consciência universal.É a união com Deus vibratória, física, na mais pequena das nossas células através da vibração celular .abre_3abre_4abre_5abre_6abre_7abre_8

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Não consigo pensar em pessoas com mais potencial mágico. Você não está lendo este texto?
Quando decidi viajar para McLeod Ganj-India, estava me tornando uma peregrina:

 

 

“A peregrinação é um exercício espiritual, um ato de devoção que visa encontrar uma via para a regeneração ou cumprir uma penitência. É sempre uma jornada de risco e de renovação. Se esta jornada não tiver risco, não tem significado, e se não tiver propósito, não tem alma”

 

 

… Mas ainda há o estranho e permanente fato de que somente após uma piedosa jornada a uma região distante,numa terra estranha, num novo país, o significado da profunda voz que guia nossa busca pode nos ser revelada. E somado a esse fato estranho e permanente há um outro, segundo o qual a pessoa que revela o significado da nossa misteriosa viagem rumo a nós mesmos deve ser um estranho, alguém de outra fé e de outra raça.”

Eu escrevia Mac tutorials, treinava o teacher e ele, em tibetano, treinava os monges.
Eu escrevia Mac tutorials,
treinava o teacher e ele, em tibetano,
treinava os monges.

 

 

Para estes monges tibetanos, eu ensinava Inglês.
Para estes monges tibetanos,
eu ensinava Inglês.

 

Eu morava naquela montanha, tendo o poderoso Himalaia me observando
Eu morava naquela montanha,
tendo o poderoso Himalaia
me observando

 

 

Visitantes na cidade, aos domingos. Hora de visitar o Templo de Dalai Lama
Visitantes na cidade, aos domingos.
Hora de visitar
o Templo de Dalai Lama

 

 

Institute of Budhist Dialectics, Mc Leod Ganj, India
Institute of Budhist Dialectics,
Mc Leod Ganj, India

 

 

Na sala de aula do Instituto
Na sala de aula do Instituto

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Por tudo isto, meu desejo de dividir com vocês um trecho da viagem realizada em McLeod Ganj:

Do meu diário de viagens
30/12/2000 McLeodGanj India:
Meu primeiro encontro com a Sua Santidade O14¼ Dalai Lama, Tensin Gyatso
08:30 – em frente ao templo

Passei por uma revista pelos policiais, ficaram com a minha câmera fotográfica e com um sorriso indicaram a porta de entrada. Lá dentro uma mil pessoas sentadas no chão aguardavam o início. Nos primeiros lugares todos os monges e lamas, seguidos pela população refugiada. Atrás, nós os estrangeiros do mundo. E nenhum lugar bacana para eu sentar.

– Como fui ingênua… cheguei tão cedo de Nova Delhi e fui tomar café da manhã. Devia ter vindo direto. Estou aqui para vê-lo pela primeira vez e agora? Não tem nenhum lugar…
.
E as mágicas começam a acontecer.
Sentado num lugar especial um monge olha para mim, dá um sorriso e se aperta para eu me sentar.

– ai esqueci a almofada, o chão está congelado.

Olhei para frente e eis que surge diante de mim a pouquinhos passos meu querido Dalai Lama. Meus olhos não acreditavam. Meu coração também não. Ele estava ali, de carne e osso, de tchuba vermelha e laranja. Fazia suas meditações em silêncio. Diante de nós. O altar atrás dele uma imagem do Buda Sakyamuni. Imenso. Um silêncio impera. Olho para os lados e vejo as montanhas nevadas do Himalaia. Olho para a frente e ele continua lá. Realidade.

Finalmente ele encerra suas meditações, sorri e nos cumprimenta. Em tibetano.

– Em tibetano? Mas o Dalai Lama tá falando em tibetano? Não vou entender nada. E agora? Não é possível.

…Ele fala alguma coisa e todos dão risada. Só eu fiquei na mesma. Quando eu olho para trás vejo que todos os estrangeiros estão com um radinho de pilha grudado no ouvido e o olhar em Sua Santidade.

– Para que este radinho de pilha? penso…

– É para ouvir a tradução simultânea, responde aquele monge que se apertou para eu sentar perto. Eu tenho aqui na mochila um outro radinho, toma liga aqui. Toma esta almofada extra que eu sempre carrego.

– ahã. Quem é que carrega rádio e almofada extra? De monge foi promovido a anjo. (saudades Monge Rafael)

Sentada no meu cantinho abençoado faço um esforço um pouquinho maior para entender a tradução quase simultânea. Uma voz grave, tibetana, chega no radinho e suas palavras tem sabor de magia.
Simplicidade, Humildade, Perdão, Felicidade. Todos os desejos humanos universais chegam até o meu coração como um banho de cachoeira no verão. Gostoso. Simples. Feliz.

Às vezes desligo o radinho e fixo meu olhar naquele ser humano que dedica sua vida a nos lembrar da delicada arte de bem viver, de amar, de ser feliz. Às vezes fecho meus olhos e imagino que ele pode me perceber e que sua infinita sabedoria e compaixão inunda meu ser e me enche de inspiração, de luz, de refúgio.

As 12 horas na estrada? nem me lembro. O cansaço? sumiu.

Ligo novamente o radinho no instante que todos começam a dizer um mantra. Fecho os olhos e deixo que o som do templo reverbere no meu coração e como uma benção possa viajar pelo himalaia em direção a todos que amo, que conheco, admiro, a todos que também não conheço. A sensação de bem estar é infinita. A delicadeza no ar quase pode ser tocada.

– Mantenha sua mente pura. Repouse na tranqüilidade desta pureza, voce é um ser perfeito, sua mente é perfeita. Viva dentro desta pureza. Tenha compaixão por todos os seres vivos.
Todos sem exceção desejam a felicidade. Seja humilde, seja simples. Respire tranqüilamente.

Tudo isto sai do meu radinho através daquela voz grave, tibetana. E o Dalai Lama continua seus ensinamentos com um incrível bom humor.

Todos dão muita risada, se concentram, ali sentados estão os povos do meu planeta. Ocidentais, orientais, refugiados, terceiro mundo, primeiro, segundo, brancos, pretos, amarelos, um encontro além das fronteiras políticas, geográfica. Ouvindo uma pessoa que não tem mais direito ao seu próprio país….

E ainda, um encontro feliz, tranquilo. Sentados no chão mil pessoas desejam a mesma coisa. Serem felizes. fazer diferente. Inspirar. Lindo.

Final do ensinamento.

Dalai Lama se retira por uma saída lateral, e ainda encontra um minuto para confortar uma senhora de idade tibetana sentada sobre dois tijolos fora do templo.

Saio de lá suprida espiritualmente. Confortada em minha vida de dois tijolos fora do tempo.
roda